Title

Transparência: aceleradora de desempenho​ e driver de credibilidade

Transparência foi a palavra chave das primeiras horas da Sustainable Brands Rio 2015. Dois workshops abordaram o tema de forma ampla.  SustainAbility e Catavento apresentaram Como transparência impulsiona o desempenho, enquanto a GlobeScan introduziu os resultados da pesquisa prévia com a audiência da How Now, que mostrou que o grande driver da credibilidade das corporações é a trabsparência.

Para uma empresa, ser transparente é conseguir disponibilizar as informações corretas e mais importantes para os públicos relevantes. Mas para dar um passo adiante – fazer com que a transparência seja efetiva – é necessário que essas informações consigam influenciar a tomada de decisões, gerando resultados mais sustentáveis. Essa foi a conclusão mais importante do workshop "Como a transparência direciona a performance", conduzida pelas consultorias SustainAbility (EUA) e Catavento (Brasil) na abertura do primeiro dia do Sustainable Brands 2015. "A transparência traz mais credibilidade às companhias e permite melhorar a coleta de dados e o engajamento dos stakeholders. E isso tudo contribui para os resultados", afirmou Clarissa Lins, da Catavento, parceira brasileira da SustainAbility.

Ao fim de 2014, a SustainAbility lançou a pesquisa "See Change: how transparency drives performance", mostrando como a questão da transparência é tratada pelas empresas da Engaging Stakeholders Network, rede de companhias globais que trocam experiências e melhores práticas em engajamento de stakeholders. Duas empresas brasileiras (Itaú e Fíbria) integram a rede. "A pesquisa parte do princípio de que a transparência é o atributo que permite a uma empresa informar e influenciar seus públicos, e se fundamenta em três elementos: materialidade, externalidades e integração", explicou Margo Mosher, da SustainAbility.

Ao identificar os temas mais importantes para seu negócio (materialidade), entender os impactos envolvidos em suas operações (externalidades) e levando essas informações para os processos de decisão (integração), as organizações criam um ambiente propício ao desenvolvimento sustentável. A pesquisa da SustainAbility apontou que, enquanto a fase da identificação dos temas materiais já está madura na maioria das empresas, ainda há muito progresso a ser feito tanto nas idenfificação das externalidades, quanto na integração de todos esses dados à estratégia. Segundo Clarissa Lins, "o desafio é mensurar o valor dessas práticas e levar as mensagens aos públicos de interesse. As companhias elaboram seus relatórios de sustentabilidade, mas o valor efetivo gerado por esses relatórios não é compatível com o tempo e os recursos dispendidos com eles." 

Alguns bons exemplos citados na pesquisa vêm do Brasil. O banco Itaú integrou membros de sua equipe de sustentabilidade ao comitê de planejamento de serviços e produtos, e tornou o processo transparente ao apostar em um relato integrado. A Light, concessionária de distribuição de energia elétrica do estado do Rio de Janeiro, conseguiu reduzir a inadimplência e as perdas ao defini-las como seu principal tema material, redesenhando seu modelo de negócios em função disso. E a Wilson, Sons (empresa de terminais portuários) estabeleceu uma sólida cultura interna de segurança ao implementar ao incorporar o tema na governança corporativa, envolvendo a alta gestão.

DESAFIO

Segundo dados apresentados por Chris Coulter, da GlobeScan, para 54% dos stakeholders as empresas não são transparentes, e isso tem grande impacto na credibilidade. "Os públicos querem contexto na comunicação, não apenas dados e metas", disse.

Ainda segundo a pesquisa, a melhor maneira de alterar a percepção sobre a transparência é aproximar cada vez mais os públicos para, consequentemente, incrementrar os níveis de confiabilidade das empresas. Isso coloca o engajamento de stakeholders como uma prioridade das lideranças.

Comentários