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Saladorama: A gente não quer só comida, quer comida saudável

Formado em engenharia de produção, Hamilton Henrique se define, acima de tudo, como um apaixonado pelo empreendedorismo. Para ele, empreender é resolver problemas. E ele não vê problema maior no Brasil do que a má alimentação. Morador de São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro, ele sabe que a população mais pobre sofre com os problemas decorrentes de uma alimentação deficiente. "Hoje, somos milhões de obesos, diabéticos e hipertensos. A expectativa de vida das pessoas está caindo. Eu quero levar alimentação saudável para as pessoas nas favelas, e para todo o Brasil", resumiu ele, ao apresentar sua startup -- a Saladorama -- na plenária "Como inovar em sustentabilidade". 

Descrevendo a missão inicial da Saladorama, Hamilton diz que a ideia era democratizar o acesso a alimentação e à água potável nas comunidades pobres. Os desafios eram muitos. "Sempre ouvi dizer que as pessoas nas favelas só gostam de comer feijão e farinha. Mas isso é um problema da comunidade? Ou era algo cultural?", questiona o jovem empresário. Após ter seu projeto selecionado pela aceleradora de negócios social Yunus, Hamilton buscou entender melhor o panorama. "Por que um prato de salada custa tão caro no restaurante. Fui descobrir as razões e... não tinha razão", contou ele, causando risadas na audiência. Em sociedade com uma nutricionista, criaram um programa de formação de cozinheiras nas comunidades que aprenderam a criar combinações saudáveis de saladas. E encontraram uma nova barreira: era preciso conscientizar o público-alvo a respeito das vantagens do novo modelo de alimentação. "Trabalhamos a educação nutricional e divulgamos os produtos", contou o empresário.

Apostaram na criação de saladas "temáticas", pré-preparadas, e no oferecimento de um cardápio de 46 itens para montar pratos personalizados. Logo perceberam que a primeira opção fez sucesso entre os clientes nas comunidades, enquanto os usuários das classes A e B preferiam montar suas próprias saladas. O Saladorama também investe no que chama de ciclo do cuidado e do bem-estar, empoderando toda a cadeia de produção: agricultores, entregadores, cozinheiros e consumidores. "Vimos o significado que o nosso serviço tem para a sociedade", afirmou Hamilton, empolgado.
 
 

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