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Reserva: boas histórias de empreendedorismo e responsabilidade social

Rony Meisler, o carioca de 34 anos que fundou em 2006 a marca Reserva, garante que nunca pensou em sustentabilidade ao criar a identidade de sua empresa. "Apenas queríamos fazer o que era certo", afirmou ele em sua apresentação na plenária "Como inovar em sustentabilidade", no primeiro dia do Sustainable Brands 2015. O empresário insistiu que "não entende nada" de moda ("O que é uma desvantagem, mas também uma vantagem, pois nos deixa livres para inovar e reinventar a marca sempre") e que as origens extremamente informais da grife continuam a orienta-lo até hoje. "O que era apenas uma conversa de bar entre amigos acabou se transformando na missão da marca: dialogar com o cliente, se aproximar dele", disse Meisler. "Hoje em dia ninguém tem tempo para prestar atenção em anúncios -- mas as pessoas ainda se interessam por histórias. A Reserva investe pouco em publicidade, mas aposta muito em boas histórias."

Para uma empresa que nunca perseguiu a sustentabilidade, a Reserva até que faz muita coisa. Seus quadros funcionais contam com equidade de gênero tanto em salários quanto em cargos. Além disso, a empresa instituiu em 2014 um programa de contratação voltado a pessoas com mais de 60 anos ("Jovens de 60 anos", como os chama Meisler). Sua cadeia de lojas usam iluminação de LED, mais econômica e durável, e para seu serviço de e-commerce a empresa implementou, inicialmente apenas no Rio de Janeiro, um sistema de entregas por bicicletas. "Deixamos de lançar 10 toneladas de CO2 na atmosfera com a iniciativa", disse o fundador. Na área da inovação, há a preocupação com o ciclo de vida dos produtos. "Uma peça de roupa pode levar até 200 anos para se decompor completamente na natureza. Em parceria com a Rhodia, desenvolvemos um tecido experimental que se decompõe em três anos", anunciou Meisler. A combalida cadeia de insumos téxteis brasileiros também é apoiada pela Reserva, que trabalha com 70 fornecedores e usa 97% de produtos nacionais em suas peças.

Meisler citou também algumas ideias específicas que combinam moda e responsablidade social. O projeto Ecomoda leva aulas de modelagem e costura para a comunidade do morro da Mangueira (Rio de Janeiro), empregando peças de ponta de estoque da Reserva. "Bermudas cargo viram bolsas, vestidos viram camisas", lembrou o empresário, que já doou 20 mil peças para a iniciativa. O Selo AR, criado em parceria com a organização não-governamental Afrorreggae, promove o licenciamento de produtos com royalties voltados para a ONG. O projeto Rebeldes com Causa (www.reservarebeldescomcausa.com) financia e estimula jovens empreendedores sociais. E as peças da grife Quarenta Mil e Setenta e Seis são vendidas em esquema de consignação por uma rede de jovens de comunidades carentes, com todo o lucro revertido para os vendedores. "Era um sonho antigo: ter uma marca 100% sem fins lucrativos", disse o empresário.

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