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Jonathon Porritt, do Forum for the Future: "Mitigar não é o suficiente"

A realidade que Jonathon Porritt expôs ao público do dia de abertura do Sustainable Brands 2015 não é animadora. "Quando olho para o quanto avançamos no campo da sustentabilidade e comparo com o que deveria estar sendo feito, vejo um abismo", afirma o inglês. Porritt sabe do que fala, do alto de décadas de ativismo ambiental e de 15 anos à frente do Forum for the Future, organização que trabalha junto a empresas, governos e ONGs para pensar em inovações práticas para alavancar setores críticos como a geração de energia e a produção de alimentos. "Sinto que existe uma grande complacência por parte das grandes corporações. 'Não se incomodem com a sustentabilidade, nós já tomamos conta de tudo!', elas dizem. Dizem isso porque seus investidores na verdade não se importam e porque o poder público não exerce seu papel de liderança. Enquanto isso, o mundo está se despedaçando."

Porritt, que fundou o Forum for the Future inspirado por suas experiências na Conferência da ONU sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (a Rio 92), fala sobre o que mudou desde então. "Em 1992 havia um grande otimismo sobre o papel das empresas na busca por um mundo sustentável. Diante da realidade atual, creio que o mundo corporativo não entendeu a gravidade da situação. Ninguém desafia os sintomas da desigualdade social ou da destruição do meio ambiente; só se preocupam em perpetuar seus negócios." De forma taxativa, o inglês declara: "Se insistirmos nesse tipo de modelo de negócio, estamos ferrados. Isso inclui até mesmo as empresas que investem na mitigação de seus impactos. Não é mais suficiente."

Sob uma ótima menos abrasadora, o inglês destaca que há empresas grandes que entendem a realidade e já se preocupam em causar impactos positivos, em vez de apenas mitigar os negativos. "A IKEA (empresa escandinava de móveis) é um exemplo: depois de decidir que usariam apenas energia renovável em 100% de suas atividades, passaram também a produzir energia renovável para vender a outras empresas", aponta. "E é importante que mais e mais corporações grandes de verdade atuem, pois elas é que fazem a diferença. Hoje temos apenas um punhado de líderes e CEOs realmente engajados, e sem esses líderes não se consegue mudar o propósito das empresas."

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