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Geekie: uma escola que ensina a aprender

Uma a cada quatro crianças brasileiras que iniciam o ensino fundamental abandona a escola antes de chegar ao nível médio. Nas contas do Banco Mundial, o abandono escolar ímpediu, nos últimos 40 anos, que o Brasil adicionasse R$ 300 bilhões a seu PIB. Claudio Sassaki, criador da plataforma de educação Geekie, quer mudar esse quadro. "Quando nossos filhos ficam doentes, não os mandamos para um hospital do século 19. Entretanto, eles estudam em escolas do século 19. Todos os setores da atividade humana evoluiram com a tecnologia, mas a educação parou no tempo", afirma o empresário, filho de uma professora de escola pública. Usando de algoritmos e de inteligência artificial para definir planos individuais de estudo e reforço escolar, a Geekie acumula desde 2011 mais de cinco milhões de usuários e mais de 20 mil escolas atendidas. São sete mil aulas remotas ministradas por dia, com métodos e ferramentas certificados pelo Ministérío da Educação.

"A tecnologia nos ajuda a entender como cada aluno aprende. Com isso, conseguimos customizar o plano de estudo de cada um e aplicamos o método em larga escala", relata Sassaki. Cada estudante tem seu ritmo, seus interesses, pontos fortes e fracos. As ferramentas da Geekie tentam mapear essas particularidades para atender individualmente a cada um. O plano de estudos é montado para atender diretamente as deficiências do aluno e os professores acompanham os progressos em tempo real.

"O modelo tradicional de sala de aula remonta à Revolução Industrial, à ideia de linha de montagem fabril. Os alunos são fabricados em lotes! No entanto, o conhecimento é efêmero. O mundo de hoje já é muito diferente do mundo da época em que entrei na faculdade. Por isso, uma escola que ensina a aprender é muito mais importante do que uma escola que ajuda a memorizar informações".

Tecnologia, entretanto, quase sempre é sinônimo de custo. Num país com enormes carências socioeconômicas,  como disseminar esse modelo de escola do futuro para quem realmente precisa? "Se não pudermos atingir um número realmente grande de estudantes, o esforço não faria sentido. A Geekie tem que estar disponível para todos, não apenas para quem pode pagar", afirma o fundador da startup. Para garantir isso, a cada aluno da rede privada que paga pelo serviço, uma vaga gratuita é oferecida para um estudante da rede pública.

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