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Earth Security Group: compreender riscos para repensar focos de atuação

As empresas que entendem os riscos sistêmicos envolvidos em suas atividades serão as vencedoras num mercado que, cada vez mais, valoriza o desenvolvimento sustentável. Essa é a crença de Alejandro Litovski, CEO do Earth Security Group, que apresentou no Sustainable Brands 2015 o Earth Security Index (ESI). Trata-se de uma ferramenta de mensuração dos riscos operacionais, sociais e financeiros de cada país, incluindo variáveis como segurança alimentar, água, clima, nível socioeconômico da população, estabilidade institucional, energia e situação fiscal. O ESI resume tudo isso em uma representação gráfica com 24 "áreas de pressão", que ajuda as empresas a tomarem consciência estratégica dos riscos que podem impactar suas operações. "Queremos ajudar as companhias a repensar seus focos de atuação através de uma maior compreensao do contexto e dos riscos da sustentabilidade", narra Litovski.

Como exemplo, o CEO do Earth Security Group cita um trabalho desenvolvido para a marca suíça de chocolates Lindt, que começou com a analise do ESI da Suíça. "Mais de 50% do cacau importado pela Suíça vem de dois países da África, Gana e Costa do Marfim. Lá, existem 1,5 milhão de pequenos produtores africanos passando por muitas dificuldades e já está prevista uma escassez de cacau até o fim desta década. Os milhões de dólares investidos em programas de responsabilidade social não conseguem mudar essa realidade", conta Litovski. A solução seria redirecionar o foco da Lindt, investindo em novas marcas fundamentadas no fair trade e na parceria com os produtores africanos. "Isso ajudaria a criar um mercado sustentável", diz ele.

Segundo Litovski, o ESI do Brasil aponta três pressões cruciais: a crise hídrica, o desmatamento e as mudanças climáticas. A combinação desses fatores tende a aumentar a dependência de energia advinda de fontes fósseis, em substiuição às hidrelétricas. "As empresas brasileiras intensivas em consumo energético precisam investir desde já em soluções limpas e renováveis. Isso será um diferencial num mercado que vai depender mais de fontes baseadas em carbono".

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